terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

“Como adestrar sua cara-metade”




Segue e boa leitura...

Sabe aquelas manias irritantes do dia-a-dia, como acumular roupas sujas no chão ou louças na pia, perguntar sempre para você onde estão os chinelos ou chaves do carro dele, atrasar-se para todos os compromissos, deixar kleenex amassado no chão ou na mesa a poucos metros de uma lata de lixo etc? É possível, minha amiga, mudar esses comportamentos insuportáveis de seu marido. A escritora americana Amy Sutherland, nesse artigo fantástico no New York Times, revela uma estratégia genial para isso: amestrar seu marido, usando técnicas semelhantes às dos treinadores de animais exóticos, que ela observou e pesquisou extensivamente para escrever um de seus livros.
Antes de conhecer as técnicas de adestramento de animais, Amy era uma esposa frustrada, que tentava mudar os defeitos do marido de forma negativa, reclamando com ele. Isso só criava mais discussões e não alterava o comportamento do rapaz em nada. Mas ela teve uma luz quando começou a entrevistar os treinadores de golfinhos na Califórnia: eles PREMIAM o bom comportamento, e ignoram o mau. Reclamar e encher o saco de um golfinho não adianta. É preciso que o bicho descubra que a cada vez que ele saltar bem alto e fizer outras gracinhas, ele ganhará um peixe delicioso. Ou seja, em vez de brigar com o marido por causa das roupas sujas no chão, ela começou a abraçá-lo e beijá-lo toda vez que o via colocando uma roupa no cesto. Com o tempo, as pilhas de roupas espalhadas pelo chão foram diminuindo.

Dentre os principais aprendizados que ela extraiu desses, vamos dizer, testes, ela cita algumas dicas de retorno imediato: 

- Sempre devemos premiar o comportamento que apreciamos: E isso nos mínimos detalhes, como simplesmente jogar a roupa suja no cesto. E premiar não necessariamente significa dar biscoitinho, pode ser desde o nível de um ‘obrigada’ até carinhos mais especiais (se é que você me entende). ;

- Sempre devemos ignorar aquilo que não gostamos: Reclamar das atitudes que você não gosta só faz aumentar a dosagem dessas atitudes que não gostamos. Afinal, ‘você não consegue fazer com que uma foca mantenha a bola no focinho resmungando com ele’. Ao perceber que você não dá atenção (assim como cachorros quando ficamos imóveis) aos poucos seu marido vai deixar de fazer o que você não gosta, simplesmente porque você pacientemente não deu bola e nem deu o mínimo de atenção. Não reaja, simplesmente;

- ‘Nada é culpa do animal’: Procure uma forma positiva de abordagem. Às vezes o tom da voz, a maneira como se fala, pode render excelentes resultados. ‘Os psicólogos dizem isso há anos. É muito mais eficaz reforçar positivamente os bons hábitos que punir o que é indesejável’;
Com essas simples três regrinhas é possível manter um relacionamento saudável, bem-humorado e bem-sucedido, segundo a autora.

Claro que essas técnicas também podem ser usadas pelos maridos com suas mulheres. O importante é conhecer bem o espécime com quem você está lidando, saber os seus gostos, preferências, e a que eles respondem melhor. Obviamente, há um limite para o adestramento. Elefantes jamais poderão falar, e alguns homens simplesmente são incapazes de perder certas manias chatas. De qualquer forma, não custa tentar essas técnicas de adestramento e ver se o seu sapo, pouco a pouco, poderá se transformar num príncipe.

Mas especialistas vêem o método com ressalvas, afinal, apesar do reforço positivo ser uma boa técnica psicológica, os seres humanos, diferente dos animais, possuem muito mais variáveis que podem gerar respostas inesperadas aos estímulos propostos. Numa relação de anos, o diálogo muitas vezes já está muito desgastado, o caminho apontado pela jornalista pode ser o mais fácil, mas não é o mais eficaz por não considerar a complexidade das dificuldades que implicam um relacionamento. O mais importante é ter tolerância com a presença do outro e saber dividir o espaço com o parceiro, chegando a acordos nos quais os dois cedam.

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